segunda-feira, 3 de maio de 2010

A respeito da postagem anterior

Por coincidência, algumas horas depois de ver o filme Milk, objeto da postagem que se segue a esta, estava lendo o livro Pinga-Fogo com Chico Xavier (org. Saulo Gomes, Catanduvas, SP: InterVidas, 2009), registro das duas entrevistas concedidas pelo famoso médium mineiro à TV Tupi em 1971, quando me deparei com uma questão sobre homossexualidade e transexualidade.
Chico respondeu nos seguintes termos:

"não devemos desconsiderar, de maneira nenhuma, a maioria dos nossos irmãos que vieram e que estão na Terra em condições inversivas do ponto de vista de sexo, realizando tarefas muito edificantes, em caminho de redenção de seus próprios valores íntimos. Consideramos isso com muito respeito e acreditamos que a legislação do futuro, em suas novas faixas de entendimento humano, saberá criar dentro da família, sem abalar as bases da família, a legislação humana saberá incorporar à família humana todos os filhos da humanidade, todos os filhos da Terra, sem que a frustração afetiva venha a continuar sendo um flagelo para milhões de pessoas.
(...) a frustração afetiva é um tipo de fome capaz de superlotar os nossos sanatórios e engendrar os mais obscuros processos de obsessão e, por isso mesmo, devemos ter esperança de que todos os filhos de Deus na Terra serão amparados por leis magnânimas com base na família humana, para que o caráter impere acima dos sinais morfológicos e haja compreensão humana bastante, para que os problemas afetivos sejam resolvidos com o máximo respeito às nossas leis e sem abalar um milímetro o monumento da família, que é a base do Estado."

Esse era o Chico. Sempre medindo palavras para não ferir suscetibilidades. Mas a mensagem estava lá, claramente: respeito, compreensão, acolhimento de todos.

7 comentários:

Ana Miranda disse...

Nem minhas convicções ateístas impedem-me de ver a bondade e inteligência do "Chico". (perdoe-me a intimidade)

Anônimo disse...

Yúdice,
É por estas e por outras que continuo respeitando o espiritismo. Em toda minha existencia nunca vi ninguem ligado a esta crença que seja intolerante, desrespeitoso ou desagregador.
Ao contrário de diversas outras crenças por aí afora.
Ainda nao tinha tido conhecimento desta postura de Chico diante da homosexualidade humana.
Bjs,
Anna Lins, voltando aos poucos...
P.s: tb tenho que me acostumar com a novidade visual do blog o conteúdo continua inteligente, diversificado e muito pitoresco.

Frederico Guerreiro disse...

Ainda bem que eu não tenho qualquer frustração afetiva. Isso só iria atrapalhar meu ateísmo.
Por outro lado, CX parece que foi um cara muito legal, muito bondoso, que só intencionava gradar as pessoas que nele acreditavam. Se ele soubesse que fazer o bem é uma característica natural do ser humano, talvez não tivesse tido a repercussão que teve na fé, e não teria sido tão bom assim.

Yúdice Andrade disse...

Ana, de algum modo, parece que todo mundo se sentia à vontade com o Chico. Exceto com tinha raiva dele, claro.

Anna, eu sou meio intolerante, algumas vezes desagregador e, quando surtado, chego a ser desrespeitoso, embora sempre me arrependa quando isso acontece. Felizmente para o Espiritismo, ninguém me relaciona a ele. Assim, ele pode continuar bem avaliado, como manifestas.

Chico acreditava na bondade inerente ao ser humano, Fred. Podes ter certeza. Só assim ele conseguia aturar tudo o que acontecia ao seu redor. Nós é que não acreditamos nisso.

Luiza Duarte disse...

Acho que não tenho nem palavras para comentar. O texto é irretocável, de uma sensibilidade incrível.

Também não tenho certeza que o ser humano é naturalmente bom. Talvez sim. Acho que há uma propensão para isso, que nos ajuda na difícil missão de nos livrar das nossas imperfeições.

Anônimo disse...

Ei Yúdice,
Que bom que vc é "meio" e eu que quando surtada sou "inteira"...hahaha
bjs,
Anna Lins

Yúdice Andrade disse...

Não tenho certeza alguma sobre a bondade do homem, Luiza. E até me pergunto se o próprio Chico realmente estava convicto disso ou se, apenas, sustentava esse discurso, com finalidades práticas.

Acontece, Anna. E às vezes acaba sendo necessário.