quarta-feira, 5 de maio de 2010

O pen drive, o celular e a molecotinha

Meu dia ontem ficou caótico logo de manhãzinha, quando senti falta de meu pen drive. Fiz uma busca inicial e nada. O suor começou a escorrer, porque o quase insignificante objeto, do alto de seus 8 GB, contém uma enorme quantidade de documentos os mais variados, alguns deles bem pessoais, além de uma infinidade de arquivos que utilizo na minha atividade docente planos de aula, provas, anotações diversas para fins de avaliação e documentos reunidos ao longo de anos, tais como acórdãos, artigos, reportagens, etc.
Naturalmente, boa parte desse conteúdo está gravado em meu computador, em casa. Entretanto, como ao longo do dia utilizo até três computadores diferentes, a depender de onde esteja, as versões mais atualizadas dos arquivos são sempre os do pen drive porque, como todo ser humano, só faço cópias de segurança quando Deus dá bom tempo.
Além disso, um terrível inconveniente de se perder o hardware é que ele, sendo encontrado por terceiros, expõe a intimidade de quem perde. Eu, p. ex., tenho várias fotos de família gravadas. Tudo muito cristão, mas não quero imagens de minha filha rolando por aí.
Após um diazinha infernal, em que procurei a praga nos lugares mais inusitados, deitei-me para dormir num misto de ansiedade e resignação. Hoje eu iria comprar um substituto. Mas ainda não havia chegado o desfecho da história.
Esta manhã, tocou o despertador do celular. Para não acordar minha esposa, desligo-o o mais rapidamente que posso, porém hoje acabei por derrubá-lo. Tive que me abaixar para pegá-lo embaixo da cama e foi nesse momento que vi, na penumbra, um brilho metálico em formato de porta USB. Meu pen drive estava de volta. E se ontem a hipótese mais provável era que ele caíra de meu bolso, embora eu não soubesse como, eis que se revelou outra explicação: Júlia, que não é dada a mexer nas coisas sobre a mesa, ontem abriu uma exceção e aprontou. E eu fui o primeiro a inocentá-la!
Ao me despedir dela esta manhã, puxei o pen drive e lhe mostrei, perguntando se sabia o que era. A molecotinha viu o objeto, ficou séria e lançou um olhar direto para a mesa onde o pegou, ontem. E, com isso, deu a maior bandeira da própria culpa.
Filha eu disse , você não pode mexer nas coisas do papai.
Não ela respondeu. É muito feio!
Estava tão aliviado que nem deu para brigar. Ai, essa molecotinha!

9 comentários:

Francisco Rocha Junior disse...

Pendrive, daqui a pouco, vai ser como os disquetes: coisa obsoleta (se já não é!).
Amigo, arquive suas coisas em um disco virtual. Você os acessará onde estiver, a qualquer hora, bastando ter acesso à internet - o que hoje se tem em praticamente qualquer lugar.
Ou então invista na compra de note(ou net)book. Mas deixe de ser sovina e jogue esse pendrive fora!

Yúdice Andrade disse...

Já tive umas conversas com minha esposa sobre os discos virtuais, Francisco. Além do que já existe, o povo da tecnologia tem umas ideias viajantes a respeito. Fala-se até em eliminação dos discos físicos, mas não consigo acreditar nisso.
Tenho um notebook, mas não o levo para todos os cantos, por várias razões: a trepidação não é boa para a higidez do HD; peso do equipamento; razões de segurança. Portanto, o pen drive, por sua portabilidade, continuará comigo mais um tempo.

Francisco Rocha Junior disse...

Então compre um HD portátil. Tenho um de 250GB que é portátil o suficiente para ser levado a qualquer canto, mas não tão pequeno a ponto de sumir de cima de uma mesa.

Tanto disse...

Coitadinha da molecota. O melhor e que são tão puros que nem pensam em esconder nada. Mostrou o pen-drive e ela, instintivamente, olhos para a mesa. Isso é lindo.

P.s.: o fundo preto com a letra branca deixa meus olhos com fantasmas das letras. Doi. Posso não gostar?

Anônimo disse...

Já pensou se a molecotinha tivesse engolido o pendrive?
Dos males, o menor.
Uma outra molecotinha pôs o celular molhado no microondas com o bom propósito de secá-lo.
Nada mal.
Alguém já perdeu a agenda do celular?
O pior é perder a filha.
Graças a Deus que ela está bem.
Só se aprende errando.
Júlia aprendeu mais uma coisa: não se mexe nos trecos do papai. E nem da mamãe.
Os pais também aprendem.
Pendrive, celular, computador etc... Tudo é menos importante do que ela, a quase culpada da perda quase irreparável.
Moral da história: arquivos e dados podem ser copiados, multiplicados, enviados, apagados e até fraudados. Júlia é única. Cuidem bem dela.

Ana Miranda disse...

Yúdice, a-do-rei ler esse seu texto.
Que linda a sua atitude em relação à Júlia, e que menina inteligente. Ele se saiu muito bem. Eh...eh...eh...
Com esse carinho todo de vocês dois com ela, percebe-se que Júlia terá um excelente caráter!!!

Luiza Duarte disse...

Que fofa a Julia! Ainda vou esperar para ter os meus pimpolhos, mas quando meus sobrinhos (de 10 e 4 meses) nasceram, me deu uma vontaaaaade! Sorte que já passou. Vou ficar só me divertindo com eles por enquanto. O difícil vai ser a pressão da mãe, que não vê a hora de ter um neto e, depois do casamento, não vai me dar sossego!

Anônimo disse...

Yúdice, desculpe, mas não tenho como evitar o comentário: que leitoras gatas vc tem!!!!!!

Yúdice Andrade disse...

Na verdade, Francisco, estou de olho num HC externo de 1 TB. Não é para transportá-lo, mas para assegurar todo os backups do mundo. Se eu me lembrar de fazê-los, claro.

Não sei se lindo, Fernando, mas é fato que nesta fase em que tudo é novidade, sentimos um certo encantamento com essa curiosidade, que chamaste de pureza.

Das 19h03, pensamos sim. Nossa casa foi preparada, antes mesmo de Júlia nascer, para criar um ambiente mais seguro. As precauções foram ampliadas quando ela começou a engatinhar.
Possuímos gradis na base e no alto da escada, travas em armários, grades que impedem o acesso ao quintal, além do mais importante: alguém tomando conta da pequenina o tempo todo. Mas sabemos que é simplesmente impossível cuidar de tudo. De todo modo, aumentamos os cuidados, sobretudo com objetos pequenos.
Continuamos na firme esperança de cuidar dela da melhor maneira possível.

Espero que tenha, Ana. Esse é o nosso maior desafio e nossa maior esperança.

Então vou te avisar, Luiza: a pressão será enorme.
Antes de me casar, perguntei a uma amiga, casada há pouco, quando começara a pressão por netos. Ela respondeu: quando voltamos da lua de mel! Comigo não foi muito diferente.
Mas nós esperamos o tempo que achamos adequado. E foi o melhor que fizemos. A p(m)aternidade é algo tão grandioso que nos pede estarmos, quanto possível, no nosso melhor momento. Portanto, calma é bem vinda.

Das 24h23, pode ter certeza. E olha que você nem as viu de perto!