segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A descaracterização continua

Você se lembra de quando eu reclamei da mudança dos nomes dos logradouros públicos de nossa cidade? Foi em postagem de 19 de novembro do ano passado. Menos de nove meses depois, mais um golpe: a Rua dos Apinagés agora se chama Jerônimo Rodrigues. Eu até mencionei, naquela postagem, que as ruas do bairro do Jurunas haviam sido batizadas com os nomes de tribos indígenas, como aliás o próprio bairro. Mas isso se perderá. Afinal, o prefeito e os vereadores de Belém — esses tristes exemplares do que não merecia existir no mundo — decidiram que a tradição deve ceder mais uma vez ao puxa-saquismo descarado. Afinal, é mais interessante (para eles) manter uma relação chameguenta com o Grupo Líder, de tamanho porte econômico. A coisa pública precisa mesmo ser tratada com uma festa de compadres. Não importa que o homenageado tenha sido um grande e importante empresário: um povo sem memória está fadado à ruína, pelo menos a moral.
Te cuida, Almirante Barroso! Praça da República para quê? Há uns tantos empresários, políticos e outros coleguinhas, além de grupos religiosos, precisando de homenagens, sempre em ruas das mais importantes.

5 comentários:

Anônimo disse...

Almirante Barroso é onde ficam a RBA e o Diário, certo?

Quem é o dono dessas empresas???

Em breve, a Almirante Barroso passará a se chamar Av. Jader Barbalho. Se a 25 de Setembro virou Rômulo Maiorana...

Ah, sabia que a Independência não é mais Independência??? É Av. Laércio Barbalho!!!

Sem falar na Dalcídio Jurandir, que virou Centenário!!!

E quem patrocina essas mudanças é você, Yúdice! Calma, não se irrite: é você, sou eu, somos TODOS NÓS, com nossos impostos.

Bando de político safado!!!

Abs,

Márcia Peixoto

Yúdice Andrade disse...

Sim, Márcia, eu conheço os exemplos citados. Falo sobre eles na postagem anterior.
Quanto ao possível novo nome da Av. Almirante Barroso, a Lei Orgânica do Município veda a adoção de nomes de pessoas vivas. Não que isso seja um empecilho. Eu trabalhava na Câmara Municipal de Belém e vi, pessoalmente, quando os vereadores, de comum acordo, ignoraram essa proibição e batizaram a Avenida Mário Covas, à época moribundo, mas vivo.
Uma prova viva dos interesses subterrâneos que movem esses senhores.
E tudo isso com o nosso dinheiro. Se pelo menos morressem logo...

André Uliana disse...

As vias públicas de Belém estão sofrendo de uma grave crise de identidade.

Coitado do meu pai, que tem 83 anos e, quando pega uma carona, ainda fala pra mim "André, me leve lá na Tito Franco". Vai ter muita dificuldade pra dizer aonde quer ir.

Yúdice Andrade disse...

Nem tinha pensado sob essa perspectiva, André, mas reconheço que ela é verdadeira. E é um sintoma do relógio social: as pessoas podem não processar mudanças que, no final das contas, não significam nada para elas, já que não participam do convescote dos espertos.

Hermógenes Moussallem Vasconcelos disse...

Triste, revoltante. Não moro mais em Belém e temo um dia voltar e não saber mais andar na cidade...

Adorei a postagem, você falou o que eu penso.

Fiquei um dia inteiro triste quando soube que trocaram o nome do nosso aeroporto de Val-de-cans para Julio César.

Um povo sem memória não vai a lugar nenhum.